segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Entre o céu e o inferno - Parte 2

O avião decolou e minha cabeça já não me deixava em paz... falei até pra minha housemate, quando cheguei em casa desse fatídico dia, esse é o mal de quem lê demais, de quem é bem informado... preferiria não saber, por exemplo, que no acidente da TAM em Congonhas, quando a aeronave atravessou a avenida e explodiu no hangar da própria TAM, falou-se de que o avião estava pesado demais, o que teria dificultado a freada... também não queria saber que os passageiros das primeira poltronas não puderam ser identificados porque o calor excessivo derreteu até suas arcadas dentárias... preciso lembrar que minha poltrona era a 4C???

Digamos que eu vivi 1h40m de um intensivo teste para cardíacos. Quando meu coração não estava batendo na minha garganta (juro que senti) ele estava tentando se acalmar sob o volume máximo do meu IPod... tudo isso pra evitar que eu olhasse as janelas e visse as nuvens pretas que chacoalhavam o avião, mas nada demais... turbulência não foi o problema... na verdade eu queria que meu IPod abafasse o barulho “estranho” que o motor fazia... não sei se era estranho ou não, mas ele tinha picos de continuidade e em seguida fazia um silêncio “ensurdecedor”... a essa altura eu já achava que o motor tinha apagado e a gente ia planar até cair no meio do mato... fiquei pensando em qual seria o jeito menos pior de morrer: se o avião se desintegrasse no ar ou se ele se esborrachasse no chão... a essa altura eu já lembrava de tudo que tinha lido sobre a queda do avião da GOL!

Pra completar, minha “companheira de fila” parecia mais preocupada que eu... vinda de São Luis, ela acompanhava o filho (de uns 6 anos) que precisava de visitas constantes a um médico aqui em SP... ele nasceu com problemas cardíacos. Ele na janela, ela no meio e eu no corredor... então, a certa altura ela me perguntou com aquele rosto humilde e desconfiado: “Estranho o barulho desse avião, né?! O que você acha???”. Minha vontade era abrir o berreiro e contar de todo “cagaço” que tomava conta de mim... mas segurei a onda e disse que ela não se preocupasse, que aquilo era normal... eu estava mentindo, né?! Mas do que adiantaria mais uma pessoa em pânico???

Em todas as vezes que o motor “parava” meu coração parava de bater também... o IPod já não tinha mais volume e o que falar daquela hora em que o avião parece que vai perder altitude e sua bunda quase levanta da poltrona??? Nessas horas acho que pegava meu coração no chão e enfiava no peito de novo...

Pensei em chamar a mesma Comissária e implorar pela verdade: “Tá tudo normal????? Que barulhos são esses???? Por que esse motor varia tanto????”, mas imaginava que isso ia chamar atenção de outros passageiros e eu poderia criar um clima tenso no avião... eu não queria isso... lembrei até de um episódio de Friends (adoro!!!) em que Phoebe quer impedir Rachel de viajar, e com ela já embarcada fala por celular que o avião está com um problema na “falangie”, uma peça que simplesmente não existe... basta Rachel repetir isso alto que todos acabam descendo do avião... kkkkkk

Bom, não consegui comer NADA e só fazia rezar pra que aquilo terminasse logo... rezei muito!!!! Foi quando já passadas 1h desse sufoco, em meio a uma área de instabilidade com todos de cintos atados, inclusive a tripulação, o Comandante avisou que estava iniciando o procedimento de descida... pensei: “Ótimo!!! Mais uns 20min, no máximo, e saio desse sufoco...”.

Mas quem for um leitor atento, e souber fazer conta, vai notar que minha previsão estava errada...
(Já sabem... :p)

3 comentários:

Vera disse...

Anciosa,aguardando a 3ª parte. E eu, só pelo atraso,já estava aqui agoniada... imagine se pudesse imaginar o q vc estava passando!!

Luli Facciolla disse...

Vá contando... Vá contando...
Tô lendo...

Beijos

Murazz disse...

É... você me conveceu! Viagem cancelada. kkkkkkkkkk Avião??? Oxe, como com farinha. Chego já aí. bju