quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

"Plin Plin"

Desde a semana passada a Rede Globo está exibindo a minissérie “Maysa”. Escrita pelo autor preferido das dondocas do Leblon, Manoel Carlos, e dirigido pelo paparicado Jaymne Monjardim. Não por coincidência, Monjardim é o único filho de Maysa no que chamamos de “vida real”, fruto de seu relacionamento com o milionário e tradicional André Matarazzo.

Mas longe de ser uma personagem de ficção, Maysa foi uma consagrada cantora brasileira, famosa por suas músicas de fossa e seu comportamento transgressor desde final da década de 50 até início de 1977, quando morreu num acidente de carro enquanto trafegava a Ponte Rio-Niterói.

Confesso a vocês que não conhecia Maysa até que a Globo resolveu lançar a minissérie e pra mim é constrangedor assisti-la em razão de alguns aspectos...

Primeiro porque assistir a uma história contada sob encomenda para ser dirigida pelo próprio filho da personagem principal já não soa bem. Imagina se “Jayminho” vai se sentir à vontade para mostrar o quanto “porra louca” era sua mãe num Brasil ainda mais retrógrado e machista...

Viciada em álcool, cigarro e anfetaminas (especialmente os moderadores de apetite), Maysa tentou o suicídio várias vezes e promoveu famosos barracos em hotéis e aviões, no que podemos considerá-la uma Amy Winehouse retrô e tupiniquim, só que mais pernóstica.

Outro motivo que me faz assistir "Maysa" ressabiada é a atuação dos atores. A intenção de Monjardim (evidente dono do projeto) foi contar com atores não conhecidos do grande público, a maioria, senão todos, vindo do teatro. Por que? Porque ele quer que os atores nasçam a partir das personagens, claro! Ele não quer uma Viviane Pasmanter da vida interpretando sua mãe, porque seria ali a Viviane Pasmanter interpretando a mamãe. Ele quer uma Maysa... ele quer alguém que nasça dela e dela fique impregnada, alguém que a carregue pelo resto de sua vida artística e que dela fique grata, ou melhor, dele!

Por conta dessa vaidade, a minissérie - na minha opinião - apresenta atuações sofríveis, como a da própria Maysa (Larissa Maciel). É claro que são atores novos na televisão e que merecem o respeito e a torcida do público, mas pra quem tá assistindo a minissérie as atuações têm deixado a desejar sim, prejudicando a superprodução monjardiniana que conta só com equipamentos de ultimíssima geração e de profissionais vindos até de Hollywood, a exemplo do diretor de fotografia conhecido por seus trabalhos com Almodóvar (vou ficar devendo o nome...).

Aliás, olha só que meigo... a própria personagem de Jayme Monjardim na fase criança e na fase jovem é interpretado por seus filhos André e Jayme. Calma, não confunda as bolas, eu sei que são muitos jaymes e andrés, mas imagine a minissérie como uma grande farra da família Matarazzo que fica mais fácil entender.

Eu realmente acho que a vaidade de Monjardim atropela a história da cantora melancólica e de timbre inigualável que abalou as estruturas do país com seu estilo de vida polêmico. Ele já arrumou briga com autores como Lauro César Muniz e Glória Perez por suas exageradas intervenções em suas obras quando as dirigiu, no caso desta última, chegou a ser retirado da direção de América em 2005 pela discrepância do rumo que a autora escrevia e desejava para a novela, e que o diretor teimava em contrariar. Após sua saída tudo na telenovela foi trocado, inclusive a abertura, e a audiencia melhorou. Se já foi assim com a obra dos outros, imagine com uma obra sob encomenda sua...

É uma pena.

3 comentários:

Luli Facciolla disse...

Por essas e outras que nem me dou ao trabalho de ligar a TV...

Beijos Paulinha!

Kaká Barbosa disse...

meu próximo post vai ser justamente sobre isso..kkkkk..tô adorando a série... :PP bjas!

Lua Oliva disse...

Também estou adorando, mas concordo que no começo fiquei ressabiada: Jayme fazendo uma série sobre Maysa? Tsctsctsc... Vai ser insuportavelmente melosa. Achei inclusive ridículo...
Mas até que ele mostra as mazelas emocionais dela, viu? E não a endeusa como mãe não... Muito pelo contrário! Ela inclusive é mostrada como uma mãe distante e bipolar com surtos maternais esporádicos. E que bebe, fuma pra caraleo, bate de frente com a família do ex-marido, transa com o Bôscolli mas canta a música dele como quer e bem entende e ontem mesmo passou a cena do início do caso que teve com o marido da mulher que a hospedou na Espanha. O melhor são as respostas rápidas e o diário...maravilhoso, cheio de intensidade. Concordo que o tal Jayme escolheu a atriz de teatro, nunca antes vista na TV, pra ficar impregnada de Maysa, assim como Mel Lisboa, até hj, não se despiu de Anita.
E qto à atuação de Larissa Maciel, percebi que ela fala pausado demais, como algo ensaiado e decorado, sem muita espontaneidade. Mas deve ser uma boa atriz, pq o olhar passa muita verdade. E a interpretação de Maysa cantando (qdo pode soltar toda a sua veia dramática) é muitooo intensa.
Podia ser melhor, tem razao. Mas ainda assim é bem interessante.

P.S- E ontem :"Vcs homens são ridículos. Quando encontram uma mulher que fala o que pensa...BROCHAM." KKKKKKKKKKKKKKKKKK, quase ligo! Quase!