sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Eu e Paul

3 shows.
19h de fila.
10:30h de espera dentro do estádio.
8:30h de Paul McCartney!

Desde que soube que Paul McCartney viria, finalmente, ao Brasil meu coração não sossegou... já contei aqui toda epopéia que foi a compra dos ingressos, e isso não foi nada comparado a toda adrenalina que rolou depois...

Providenciar cópia do documento de alguém que mora em Bento Gonçalves, cópia autenticada do cartão de quem mora em Aracaju, procuração, blá blá blá, blá blá blá... tudo pra não ter erro na retirada dos ingressos, seja em Porto Alegre, seja aqui em São Paulo, o que exigiu bastante troca de emails e telefonemas.

Chegada a hora, meu primeiro encontro com Sir Paul aqui no Brasil foi em Porto Alegre. E eu JAMAIS esquecerei aquele 07 de novembro de 2010... é sobre ele que eu vou falar nesse post!

Viajei pra Poa na véspera com uma ansiedade que me consumia... tudo que eu queria era ter meus ingressos na mão e que o domingo chegasse logo. Ainda curti um rockzinho gaúcho no sábado a noite, e às 8:30h da manhã de domingo estava de pé, me arrumando pra ir ao Beira Rio.

Cheguei ao estádio às 10h da manhã, embaixo de um sol escaldante, mas, como eu, muitos e muitos fãs... não foi difícil fazer amizade. Encontrei um pessoal de São Paulo e ficamos ali na fila debaixo do sol quente juntos, até que meu irmão Juba e o casal Tamar e Thiago chegasse, esses direto do Aeroporto Salgado Filho. Loucura!
O clima na fila era sensacional... muitos coros com Beatles songs, solidariedade, trocas de histórias sobre o fanatismo por Paul, Wings e Beatles... isso fazia o tempo passar, mas o cansaço era inevitável e a ansiedade nem se fala.

Quando finalmente entrei no estádio, correndo feito uma louca, nem acreditei o quão perto do palco eu estava. Era surreal imaginar que em algumas horas Paul McCartney, em carne e osso [e muito talento], estaria tão perto de mim. A euforia só não era maior porque a gente ainda teria que esperar mais de 3h ali no gramado, mas nada que uma Pepsi gelada não amenizasse...

Às 9:05h Sir Paul pisou no palco montado no Beira Rio e os gritos ensurdecedores me lembraram o antológico show dos Beatles no Shea Stadium em 1965... é uma emoção tão grande que você fica meio estático, completamente parado... pensei que ia chorar, mas não derrubei uma lágrima, eu ficava na ponta do pé olhando ele no palco com os olhos arregalados, extremamente chocada, eu diria... meu Deus, ele tava perto demais!!! Eu conseguia ver os detalhes do seu rosto, os olhos caídos (marca registrada) e as rugas de quem viveu uma vida extraordinária. Era uma lenda viva segurando um Hofner em forma de violino, ali, na minha frente, e acenando “pra mim”.

Ele abriu com Venus and Mars/Rockshow, repetindo a sequência de abertura de determinada turnê do Wings da década de 70 (não lembro qual delas). O som era PERFEITO... a galera do gargarejo não parava de pular, e eu junto! Ele emendou com Jet, clássica do Wings, e aí a gente foi a loucura... a cada grito de "jeeeeeeeeet", 50 mil braços socavam o ar... uma felicidade indescritível estar ali.

Paul fez questão de nos cumprimentar em português, e repetiu o idioma durante todo o show. Falou coisas como “bah, tchê!”, “Ah, eu sou gaúcho”... um showman de deixar qualquer um no chinelo... a gente via que ele estava ali dando o máximo de si, que tinha se preparado pra nós, e ele nem precisava... bastava estar ali!

Só consegui fazer a ficha cair em My Love. Nossa... desabei. Ele iniciou a canção falando em português “Eu escrevi esta música para minha gatinha Linda”. Noooooooooooossa... chorei a música inteira que nem criança. Foi de fazer vergonha... :P

O show seguiu por 2:45h!!! O “véinho” está numa forma INCRÍVEL. Sério mesmo. Ele pulou, dançou, correu no palco, e a voz está IMPECÁVEL. Não sei como ele ainda consegue dar os agudos que marcaram o vocal dele nos Beatles... impressionante!!!

O set list foi sensacional, com MUITOS clássicos, como All My Loving, Let It Be, Hey Jude e Yesterday, e outras menos executadas como Ram Om (que ele só tocou em Porto Alegre), Letting Go e Mrs. Vandebilt. Live and Let Die foi doidera e Something a mais emocionante... como não chorar novamente???

Aliás, chorei muitas vezes durante o show... sei que pra muita gente é complicado entender, eu compreendo, mas quem é fã sabe o quanto é emocionante viver aquelas poucas horas, estar ali vendo e ouvindo o cara que é dono da trilha sonora da sua vida, por quem você tem uma admiração absurda, um amor inexplicável.

E no meio de tantos fãs, era lindo olhar crianças, jovens, adultos, coroas... todo mundo se emocionando junto... em várias músicas vi marmanjos de 1,90m chorar, pais e filhos se abraçarem... chorava todo mundo junto. Paul tem uma mágica que não dá pra explicar... só você estando lá pra saber.

Vivi essa emoção mais duas vezes, nos shows aqui no Morumbi, dias 21 e 22 de novembro. Mas pra não me alongar ainda mais, vou contar essa história no próximo post! ;)

Um comentário:

Marcus disse...

Sensacional, parabéns e continue escrevendo!